Uma denúncia enviada à redação expõe uma realidade revoltante vivida por moradores da zona rural de Codó: o abandono de comunidades inteiras por conta de estradas intrafegáveis, principalmente no período chuvoso.
A denunciante, Inês Graytt, que atualmente mora em São Paulo, relatou o drama enfrentado por sua família no povoado Salobro da CIT. Segundo ela, seu irmão, Gilson Rodrigues, passou mal após um quadro de hipoglicemia e precisou de atendimento urgente. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado, mas não conseguiu chegar até a residência devido às péssimas condições da estrada.
De acordo com o relato, o acesso ao povoado está tomado por buracos, crateras e muita lama, o que impede a passagem de veículos, inclusive ambulâncias. Diante da situação, moradores se uniram para tentar salvar a vida de Gilson, que já estava inconsciente. Ele precisou ser carregado em uma rede, a pé, até um ponto onde a equipe do SAMU conseguiu chegar.
O tempo de espera pelo atendimento foi de quase quatro horas — um intervalo considerado crítico entre a vida e a morte. Segundo profissionais de saúde, se houvesse mais demora, o caso poderia ter terminado em tragédia.
A situação revolta ainda mais quando se leva em conta que não se trata de um caso isolado. Conforme a denunciante, durante o período de chuvas, o povoado fica completamente isolado, sem condições mínimas de tráfego. “É desumano. Em pleno século XXI, ainda precisamos transportar doentes como se estivéssemos em tempos primitivos”, desabafou.
Moradores afirmam que a presença de políticos nas comunidades costuma acontecer apenas em períodos eleitorais. Fora disso, a população segue esquecida, sem acesso digno a serviços essenciais como saúde e mobilidade.
Apesar do cenário crítico, Gilson Rodrigues conseguiu sobreviver e já está em casa, se recuperando ao lado da família. A denunciante também fez questão de agradecer aos moradores do povoado, que não mediram esforços para ajudar no socorro.
O episódio, no entanto, deixa uma pergunta que ecoa entre os codoenses: até quando vidas vão continuar sendo colocadas em risco por conta da falta de infraestrutura e da negligência do poder público?


