Em meio a uma crise financeira que acumula dívidas milionárias e atinge diretamente trabalhadores, a Expresso Rei de França (antiga 1001) realizou transferências de R$ 1,6 milhão para uma mineradora ligada ao empresário Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, conhecido como PP. A movimentação, registrada em extratos bancários, levanta suspeitas de blindagem patrimonial.
Os documentos mostram que os repasses foram feitos à empresa Goldcoltan ao longo de quase três meses, no fim de 2025. No mesmo período, as contas do grupo somaram R$ 6,7 milhões em débitos. Parte das transações inclui pagamentos que aparecem associados a despesas pessoais do empresário, como cartão de crédito e aluguéis.
A empresa de ônibus está em recuperação judicial, com dívidas que chegam a R$ 177 milhões. Enquanto isso, funcionários relatam atrasos em salários, FGTS e benefícios básicos, como auxílio alimentação.
A ligação entre as empresas vai além das transferências. A Goldcoltan pertence ao próprio Pedro Paulo, que também já esteve à frente da gestão do grupo. Atualmente, o controle formal da Expresso Rei de França está em nome da filha dele, Deborah Piorski, após mudança societária registrada na Junta Comercial do Maranhão.
Outras empresas relacionadas ao empresário também aparecem em nome de familiares, o que, segundo credores, pode indicar tentativa de ocultar patrimônio. Entre elas estão negócios em áreas como transporte, serviços e comércio.
A defesa do grupo confirma que houve uma estratégia para evitar bloqueios judiciais. Segundo a advogada responsável pela recuperação judicial, os valores eram transferidos para uma conta vinculada à mineradora ao fim de cada dia, como forma de garantir o pagamento de despesas operacionais diante das restrições nas contas da empresa de ônibus.
Apesar da justificativa, a advogada não detalhou os pagamentos vinculados diretamente ao empresário. Ela afirmou que os lançamentos precisam ser analisados dentro do contexto da recuperação judicial e da tentativa de manter as atividades em funcionamento.
O caso ocorre em meio à pressão sobre o sistema de transporte público da capital. A empresa integra o conjunto de operadoras que recebem repasses geridos pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET), entidade da qual o próprio Pedro Paulo é vice-presidente.


